Vivemos numa era em que o design está presente em todos os aspetos da vida, desde os produtos que usamos até às interfaces que moldam o quotidiano. O poder do design é imenso, por isso é preciso usar com responsabilidade. Quando o design é usado sem ética pode manipular, explorar ou causar impactos ambientais e sociais negativos.
A elevada capacidade de influência ajuda na propagação de “maus hábitos”, como por exemplo, os casinos, que levam a grandes taxas de suicídio por causa da crescente aderência devido a propagandas que prometem tudo, mas que no final apenas criam vícios e não melhoram nenhum aspeto na vida das pessoas (Aral Balkan, “Design, don’t decorate · Design without ethics is decoration. … Design your organisations so that your core values are respect for human rights, respect for human effort, and respect for human experience ); as guerras e fake news, que promovem o ódio e o caos (Dieter Rams, “indifference towards people and the reality in which they live is the one and only cardinal sin in design); e propagandas de produtos nocivos para a saúde (Ken Garland, Garland propôs que o design gráfico devia abrir mão de muitos dos projetos publicitários fúteis e consumistas da época, e focar no valor humano e social), como os cigarros e as bebidas alcoólicas, estes que mais uma vez, só trazem vicio e não têm vantagens a não ser o quanto estes negócios rendem. Este manifesto propõe uma reflexão e um compromisso ético que orientem as decisões de quem cria, comunica e transforma o mundo através do design.
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O design deve servir as pessoas, não as explorar.
Cada decisão visual ou funcional deve respeitar o utilizador física, emocional e cognitivamente. O design não deve manipular nem enganar, mas informar e incluir.
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Transparência é parte do design.
Devemos ser claros sobre as intenções, os processos e as consequências do que criamos. A estética não pode ser usada como máscara para práticas injustas.
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A sustentabilidade é uma obrigação ética.
O designer deve considerar o ciclo de vida dos materiais, a durabilidade dos produtos e o impacto ambiental das suas escolhas. Criar menos, mas melhor, é um ato de ética.
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A diversidade deve estar no centro da criação.
Um design ético é inclusivo. Deve representar e respeitar diferentes culturas, géneros, idades e capacidades. O design é uma linguagem universal que deve ser compreendida
por todos. -
A ética é parte do processo criativo.
Ser ético não é uma limitação, mas um guia. O pensamento crítico, a empatia e a responsabilidade social devem acompanhar o designer em cada etapa do projeto, da pesquisa à entrega final.
Resumindo e concluindo, o designer detém de uma das maiores fontes de influência capazes de educar, inspirar e transformar, mas também de distorcer, manipular e destruir, por isso a responsabilidade ética deve ser um pilar no seu trabalho.
A verdadeira responsabilidade vai além da estética ou funcionalidade, é uma escolha moral e ética. Criar é um ato de poder e todo o poder exige consciência, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Cabe ao designer usar esse poder com propósito, empatia e respeito.