Regresso à Manualidade no Design Gráfico
Como vencer o medo de errar

Para poupar tempo e facilitar o trabalho, o designer moderno tem recorrido apenas a objetos digitais cujo o produto não é concreto e palpável, deixou para trás o material orgânico que por sua vez é algo corpóreo. O designer passou a desenvolver um medo do traço natural que muitas das vezes pode ser um processo desequilibrado, irregular e imperfeito por isso este acaba por cingir-se ao digital onde os defeitos são facilmente corrigidos.

  • Aceitação da Naturalidade

    O designer ao recorrer à manualidade retorna às suas origens, envolve-se mais no projeto como se este fosse uma extensão de si mesmo. Os traços que produz foram feitos num só movimento ao deslocar o seu braço ao transferir o seu pincel de um sítio ao outro no papel, no caso da pintura a tinta inserida no suporte não é algo totalmente calculado ao milímetro obtendo um resultado imperfeito porém natural.

  • Mudança da Percepção Social

    Ao usar técnicas naturais e plásticas na comunicação pública visual não só estamos a desenvolver a nossa capacidade cognitiva como nos fornece mais ferramentas para o nosso trabalho. Para o recetor da informação visual, o uso dessas técnicas pode alterar a definição que estes têm de algo perfeito ou esteticamente agradável. Não tem que ser simétrico, equilibrado e rigoroso, pode ser também algo orgânico, humano e autêntico.

  • Equilíbrio entre o Digital e o Analógico

    Hoje em dia, cada vez mais são os instrumentos tecnológicos que se encontram à nossa disposição. Estão em todo o lado, para onde quer que olhemos deparamo-nos com tecnologia e nesta sociedade moderna é difícil viver sem esta. Podemos ficar com sensações artificializadas e passamos a não saber lidar com o que nos acompanhou até agora. Para os criadores do conteúdo visual é saudável não estar sempre limitado ao seu computador, não só ao nível da sua visão como da sua postura. O isolamento do designer no seu espaço de trabalho pode afetá-lo a nível da saúde mental, é necessário haver um balanço entre as duas vertentes, é preciso conviver e estar em harmonia com o mundo que o rodeia.

  • Uso da Expressão Plástica

    Existem certas técnicas que ao serem executadas digitalmente perdem a sua plasticidade, por exemplo um papel rasgado é dificilmente reproduzido com a mesma expressividade com o uso de uma ferramenta de um programa, se o designer simplesmente manipular o papel com as suas próprias mãos vai conseguir obter um melhor resultado. Apelamos ao uso de técnicas que envolvem processos mais naturais que nelas é possível alcançar um resultado único e incomparável, como extrair tinta de flores.

  • O Processo de Falhar

    Muitas vezes ao trabalharmos com a nossa manualidade surgem eventualmente muitas imperfeições inesperadas. O erro é inerente ao ser humano e o digital pode esconder essa parte emocional e sensível que é tão natural ao humano, provocando um afastamento e um certo desconforto entre o recetor e a mensagem. O processo de tentativa e erro é fundamental para a evolução de cada indivíduo. Falhar reflete a nossa humanidade.

É necessário voltar às nossas origens e explorar formas de expressão anteriores ao aparecimento destas tecnologias que contaminam a mente humana. É necessário equilibrar o nosso estilo de vida, ter sempre a tecnologia e a manualidade de mão dada.

Caldas da Rainha, 21 Novembro 2023
  • Autores

  • Inês Matias
  • Margarida Magriço