Elogio ao Erro
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Num mundo que elogia ao perfecionismo, desvaloriza o incompleto e prefere o vazio ao extraordinário, aparece a necessidade de celebrar estes tão desacreditados processos pessoais e profissionais. Este manifesto surge como meio de reinventar o valor conotativo negativo que lhe é sempre agregado. Não rejeitemos o que é estranho, brindemos ao inusitado, deixemos florir o que o improvável plantou e celebremos à libertação que nos causou.

  • Assimetria

    Apelamos a que coloquem em causa a criação de algo para além do pressuposto sistema de régua e esquadro até alcançar um equilíbrio gráfico mais trabalhado. Devemos desafiar a perfeição simétrica, contestando qual destas é realmente a mais complexa de ser reproduzida, a simetria ou a assimetria.

  • Instabilidade

    O instável pode ser estável se assim o quisermos, devemos interpretar muito para além do frágil e ver o seu movimento como a sua dança eterna, que está em constante mutação. O que vemos como uma fragilidade temos que começar a assimilar como um super poder único. O desconforto visual causado deve começar a ser mais aceite pela sociedade como uma peculiaridade necessária.

  • Irritabilidade

    Esta precisa de começar a ser encarada como uma ferramenta do futuro que pode ser útil para o nosso trabalho enquanto designers, tendo como benefício a chamada de atenção que propaga. Temos como ponto de partida esse estado de espírito como uma forma a apurar a nossa habilidade de controlar a paz interior.

  • Incompleto

    “No meio está a virtude“ e por isso devemos começar a contrariar o perfecionismo e apelar ao incompleto, pois esse previne os futuros erros gerados pela ansiedade de uma finalização perfeita: o último tudo ou nada. O incompleto expõe parte do completo, mostrando não só a pele como o esqueleto do objeto.

  • Falha

    No dia a dia acabamos por no esquecer que as falhas são uma ajuda para conseguirmos perceber quais caminhos seguir, sendo cada uma delas uma aprendizagem futura com um fator surpresa. As falhas com uma conotação negativa apenas existem se o assumirmos.

Prometemos dar as boas vindas ao erro e receber de braços abertos, as conversões mal sucedidas, os cantos com 91 graus, os A4 esticados para fingir de A3, os canudos de folhas, os cartazes encharcados que ficaram pelo caminho, os cantos de folhas dobrados e as fontes esticadas. Que os nossos objetos errados nos relembrem do valor da experiência humana e da diversidade infinita da criatividade.

Caldas da Rainha, 21 Novembro 2023
  • Autores

  • Iris Taveira
  • Beatriz Quaresma