DIPLOMA
Eu tenho um DIPLOMA e tu?

Desde os primórdios da humanidade, a comunicação visual é essencial na construção das identidades das nações — como a primeira bandeira de Portugal, criada em 1143. Contudo, foi há cerca de 150 anos, com a formalização da profissão de Designer, que esses profissionais passaram a exercer um papel fundamental na comunicação visual e na construção de identidades, sejam elas de marcas, instituições ou países.

Apesar do valor reconhecido do design na sociedade, os profissionais que realizam esses projetos enfrentam desvalorização, críticas infundadas e uma falta de entendimento sobre o rigor técnico e criativo necessário ao seu trabalho.

Este manifesto representa um chamado coletivo para que a sociedade, o mercado e as instituições compreendam e respeitem o trabalho dos designers, apoiando práticas que defendam a dignidade e a qualidade de vida desses profissionais.

Todos os projetos de design devem ser respeitados e compreendidos, especialmente aqueles de grande visibilidade, como identidades visuais para instituições públicas ou marcas icônicas. Esses projetos exigem processos criativos cuidadosos, técnicas apuradas e múltiplas camadas de aprovação. No entanto, quando uma identidade visual é submetida ao julgamento público, o trabalho dos designers é frequentemente tratado como algo descartável ou sujeito à opinião popular, ignorando que esse trabalho foi feito por profissionais qualificados, que estudaram para atuar na área, e que foi encomendado e aprovado pelo próprio cliente.

Essa realidade, além de desrespeitar o profissionalismo e o esforço investido na realização dos projetos, prejudica a dignidade da profissão e limita o espaço para a inovação, gerando impactos negativos na carreira dos designers, como a perda de novas oportunidades, e afetando a saúde mental de inúmeros profissionais.

  • Transparência no Processo Criativo

    Propomos que o processo criativo seja apresentado ao público de forma transparente. Quando possível, as fases de pesquisa, ideação, protótipos e justificativas criativas devem ser comunicadas para educar o público sobre o processo complexo que envolve o design, favorecendo uma compreensão mais profunda e consciente da identidade final apresentada.

  • Responsabilidade Compartilhada

    Reivindicamos a partilha clara de responsabilidades entre designer e cliente. Todo projeto de design passa por aprovações e ajustes até seu lançamento, cabendo ao cliente a decisão final de validar e publicar o trabalho. Exigimos que ambos sejam vistos como corresponsáveis, para que críticas ou ajustes sejam direcionados de forma justa, preservando o profissionalismo e a integridade dos envolvidos.

  • Direito a Feedback Construtivo e Respeitoso

    Defendemos que o feedback de clientes e do público deve ser fundamentado em críticas construtivas e respeito. Designers se comprometem com o aprimoramento constante, e críticas destrutivas prejudicam a qualidade do diálogo criativo. Pedimos o fim dos julgamentos superficiais e incentivamos que o feedback seja estruturado, de forma a agregar valor e aprendizado para ambas as partes.

  • Respeito ao Trabalho e Estatuto dos Designers

    Exigimos o reconhecimento do design como profissão técnica e criativa, onde a competência, estudo e experiência devem ser respeitados e valorizados. A subjetividade não pode sobrepor-se à qualificação dos profissionais. Designers são pensadores estratégicos, e seu trabalho deve ser tratado com a mesma seriedade que qualquer outra profissão especializada.

  • Reconhecimento do Design como Agente de Impacto Social e Cultural

    Reivindicamos o reconhecimento do design como elemento essencial na construção da identidade e na comunicação cultural e social. O design não é apenas uma questão de estética, mas um agente de impacto que representa ideias e valores que podem influenciar positivamente a sociedade. Exigimos que ele seja tratado com o devido respeito e comprometimento que a sua responsabilidade social exige.

Este manifesto é um chamado à sociedade para que valorize e respeite o trabalho dos designers como uma profissão fundamental e estruturada. A crítica faz parte da evolução criativa, mas deve ser fundamentada em respeito, clareza e conhecimento. Convidamos todos — empresas, instituições e público em geral — a reconhecerem a relevância do design, a importância da ética profissional e a honrarem o trabalho dos designers com a dignidade que ele merece.

Que a defesa do design seja uma ponte para um futuro em que o respeito ao trabalho criativo seja parte integral de uma sociedade justa e visionária.

Caldas da Rainha, 12 Novembro 2024
  • Autores

  • Miguel Santos