No design gráfico devido às condições precárias do setor muitos designer acabam por aceitar trabalhos que não refletem os seus valores ou aspirações, focando-se mais na remuneração financeira ou no reconhecimento. Muitas vezes, isso implica adaptar-se a estilos específicos que os clientes pedem, deixando de lado as suas preferências e talento. Com o passar do tempo, estes profissionais ficam gradualmente mais frustrados e sentem-se desmotivados, perdendo o desejo de exercer a profissão.
Este manifesto pretende recordar os designers das suas verdadeiras motivações e incentivá-los a trabalhar em projetos que realmente lhes façam sentido.Para isso, é essencial que sejam mais empáticos, resiliente, justos, proativos e curiosos, sem se deixarem guiar apenas pela compensação financeira. Queremos que o trabalho de cada designer promova estes valores e inspire a comunidade a ser mais solidária, justa e curiosa.
A nossa proposta é que os designers se libertem das pressões externas, do foco no dinheiro e encontrem novamente um espaço onde possam expressar e desenvolver as suas paixões e valores.
Trabalhando juntos, podemos criar um ambiente onde cada designer se sinta à vontade para crescer e fazer a diferença com o que realmente acredita.
Empatia – Resiliência – Justiça – Proatividade – Curiosidade
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Empatia (em.pa.ti.a)
nome feminino
- faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto)
- capacidade de se identificar com outra pessoa e de partilhar os seus sentimentos e motivações
Ser empático como designer é essencial para entender as emoções, necessidades e pedidos dos clientes, de modo a criar soluções que correspondam às suas expectativas. Para isso, devemos ouvir atentamente e observar não só os nossos clientes como também colocarmo-nos no lugar do consumidor final para perceber como irão interagir com o produto. A empatia resulta num design mais humanizado, que valoriza a inclusão e a diversidade, permitindo que o utilizador se sinta parte da experiência.
Além disso, o designer deve também ser empático quando recebe feedback, pois ao entender a perspetiva do outro, consegue sempre identificar formas de melhorar o seu produto. Por fim, um designer empático tem a responsabilidade social de considerar o impacto ético das suas decisões, contribuindo assim de forma positiva para a vida das pessoas e da comunidade.
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Resiliência (re.si.li.ên.ci.a)
nome feminino
- propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação
- capacidade de superar, de recuperar de adversidades
Ser resiliente como designer é fundamental para aceitar críticas e feedback de forma construtiva, sem o levar para o lado pessoal e proporcionando um aperfeiçoamento do seu trabalho. Além disso, a resiliência permite ver falhas como oportunidades de aprendizagem, melhorando a sua adaptabilidade e evoluindo de forma a poder antecipar situações semelhantes no futuro.
Quando deparados com pressão, designers resilientes são flexíveis, conseguindo manter o foco na busca de novas soluções e adaptando-se às mudanças, em vez de se submeterem a sua frustração. Esta mentalidade forte e adaptável facilita o trabalho em equipa e promove a resolução e prevenção de conflitos de forma eficaz.
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Justiça (jus.ti.ça)
nome feminino
- princípio ou virtude moral que inspira o respeito pelos direitos de cada pessoa e pela atribuição do que é devido a cada um
- condição do que é equitativo ou moralmente correto
Ser justo como designer significa tratar todos com respeito, valorizando a diversidade de perspectivas individuais e reconhecendo que as mesmas enriquecem o processo de design criando soluções criativas, inclusivas e inusitadas. Além disso, um designer justo oferece feedback construtivo criando um ambiente saudável onde os outros podem crescer sem serem julgados pelas suas diferenças e tendo os seus esforços valorizados.
Tomar decisões éticas e justas é essencial, considerando o impacto que o design tem na comunidade, nomeadamente no que diz respeito à acessibilidade e à inclusão, promovendo transparência e compromisso tanto com o cliente como com o consumidor final.
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Proatividade (pro.a.ti.vi.da.de)
nome feminino
- capacidade de prever algo ou de fazer com que algo aconteça, tomando a iniciativa
Ser proativo como designer implica ativamente procurar criar, seja novos projetos, oportunidades ou alternativas, proatividade implica procurar ativamente criar mudança quer seja a nível pessoal, profissional ou mesmo comunitário.
A procura constante de novas coisas ou alternativas que a proatividade nos traz é algo essencial para demonstrar o nosso interesse quando deparados com novos desafios pois um designer que procura criar mudança é um designer que enriquece a sua equipa e acrescenta valor a todos os projetos em que trabalha.
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Curiosidade (cu.ri.o.si.da.de)
nome feminino
- qualidade do que é curioso
- desejo de saber ou ver
- indiscrição
A curiosidade enquanto designer é essencial para expandir a criatividade, ser curioso implica explorar diferentes ferramentas e técnicas, experimentando novos métodos de trabalho e soluções que oferecem novas perspectivas.
Ser curioso ajuda o designer a ser mais atento aos detalhes, a questionar e a estar disposto a aprender constantemente, o que resulta em designs mais originais e impactantes.
Em suma, este manifesto é um apelo à redescoberta do propósito e da autenticidade no design gráfico, num setor onde as condições frequentemente obrigam os profissionais a afastarem-se dos seus valores. Reconhecemos que, devido à precariedade financeira, muitos designers acabam por se submeter às exigências do mercado, perdendo, assim, a ligação com o seu verdadeiro talento e ambições. Contudo, acreditamos que é possível reverter esta tendência e encontrar uma prática mais alinhada com a essência de cada um.
Incentivamos os designers a resistir à pressão da conformidade e do lucro imediato e, em vez disso, abraçar a empatia, a resiliência, a justiça, a proatividade e a curiosidade. Estes valores são a base de uma prática de design que se compromete com uma abordagem mais humanizada, orientada para uma mudança positiva na comunidade. Sendo também os elementos necessários para que o design gráfico se torne um reflexo genuíno das paixões e valores pessoais dos designers.
Que este manifesto seja, assim, um convite à ação e uma lembrança constante de que o verdadeiro impacto do design nasce da liberdade de criar e da crença no poder transformador de um trabalho com mais sentido.
Se os designers trabalharem juntos, podem transformar o design numa prática que inspire e traga mudanças positivas e significativas para todos.