Não é bite é influência surge enquanto uma questão universal para nós. Primeiramente colocada por Dillaz na sua faixa “Mo boy”, é através desse enquadramento que refletimos na apropriação de subculturas pelas grandes massas comerciais e fazemos o paralelo desse conceito com o design e a cópia, a influência, e o bite.
Bite traduz literalmente para o ato de trincar algo, completamente pejorativo, ou seja, a lenga lenga de influência é colocada de lado, bite é trincar de algo que não lhe pertence, é um ato desrespeitoso e proveniente de uma entidade cobarde.
O problema atual na cena do design é este bite que vem fomentado por pessoas que acessam subculturas menos reconhecidas e copiam o mesmo tendo um alcance maior, nunca reconhecendo de onde vem a “inspiração”. Por vezes este também pode ser um ato involuntário, onde a própria pessoa não reconhece o que está a fazer por não ultrapassar o preliminar do que aparece em redes de inspiração superficiais.
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Que a pesquisa seja tão importante quanto o objeto final
Propomos que todo o background associado à pesquisa tem de ter uma importância tão presente como o próprio objeto final. A pesquisa tem de ser encarada como a fundação de um projeto, o ponto de partida para algo se construir.
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Quais são os limites da inspiração?
O quanto e em que contexto está a ser utilizado, tudo tem um propósito e intenção por mais simples ou inconsciente que seja. Não roubar o estilo próprio de alguém.
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Introspecção no momento de usar referências
Perceber o tópico abordado, o contexto histórico e temporal, as causas, os objetivos, para que a mesma apropriação seja consciente e bem fundamentada.
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Créditos como junção do público aos autores das obras referenciadas.
Os créditos de uma obra referenciada permitem que quem se relaciona com o trabalho e que procura saber mais sobre o mesmo, possa o fazer. Assim, promove-se a partilha entre pessoas com o mesmo gosto promovendo um ambiente de partilha saudável.
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”Can you be born with sauce? You need seasoning” (Gucci Mane)
É preciso ter gosto e um tempero próprio que seja adquirido e construído com o tempo e com a procura de referências e pesquisa proveniente das mais diversas áreas da cultura visual.
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Como é que se adapta o que nos influencia para a linguagem própria?
O verdadeiro desafio de não bitar é produzir algo novo, mas que seja referente e influenciado por algo que já exista. Reinterpretar aquilo que inspirou a referência, ir a fundo na pesquisa. Desconstruir aquilo que estamos a interpretar e utilizar aquilo que absorvemos do objeto de referência, de forma a fundamentar o nosso trabalho e torná-lo mais forte.
Este manifesto conclui se assim como um apelo à consciência artística, reafirmamos a importância da autenticidade, da pesquisa e do respeito pelas origens culturais e autorais. Criar não é reproduzir, mas sim reinterpretar, reconstruir e dar novo significado aquilo que inicialmente nos inspira. O valor do design está na capacidade de transformar referências em linguagem própria, reconhecendo as fontes e promovendo uma cultura de partilha ética e informada.