Para todos os designers que algum dia já se sentiram a roubar integralmente o trabalho de outro designer.
A era da saturação – Vivemos num tempo em que tudo já foi pensado, desenhado, experimentado e criado, num mundo onde as formas se repetem e os estilos regressam. O designer nasce neste mundo saturado onde a originalidade pura é quase um mito, mas isso não é um limite, é uma oportunidade, na qual o cultivo da ética e da responsabilidade é essencial.
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O Começo
A referência é um ponto de partida, onde o designer observa, compreende e transforma uma ideia original, criando peças com a sua linguagem própria, é uma forma de transmitir algo e, ao mesmo tempo, homenagear.
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O mito da Originalidade
O designer não é um inventor isolado, mas sim um intérprete do mundo. A ideia de que tudo deve ser “novo” é uma ilusão moderna, pois quase tudo o que criamos parte de coisas anteriores, quer sejam formas, conceitos, culturas, ensinamentos, entre muitos outros. É importante relembrar que o design não nasce do vazio, mas sim de uma relação com aquilo que já existe.
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O poder da Procura
O olhar do designer é um potencial agente para a criação de melhores projetos de design. Querer procurar, explorar e conhecer enriquece a cultura visual do designer para um maior aproveitamento pessoal e profissional. Um designer bem informado, e acima de tudo, curioso, é uma mais-valia.
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Reinventar é valorizar
O poder do designer não está em inventar algo novo, mas dar-lhe um novo significado. Transformar coisas banais em relevantes é um ato de afirmação, pois copiar é fácil, mas reinventar é ser criativo. É saber olhar para aquilo que existe e vê-lo de forma diferente, com sentido crítico e consciência.
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Ética e Responsabilidade na reinvenção
Recriar acompanha-se de poder, mas acima de tudo de responsabilidade. As referências nas quais nos inspiramos, implicam principalmente reconhecer as suas fontes, respeitar contextos culturais e evitar apropriação indevida, mas existem muitos outros aspetos a ter em consideração. Um designer consciente pergunta-se sempre se está a acrescentar valor às peças ou apenas a copiar. No fundo, a ética é o fator que distingue o designer criativo de um imitador.
O verdadeiro papel de um designer é olhar o existente com novos olhos, com mais consciência, propósito e responsabilidade. Uma atitude contemporânea no design terá estes valores como princípios, transformando o passado e inspirando o futuro.
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Subscritores
- Manuel Bento
- Beatriz Ferreira
- Fatima Caroto