Eu sou um museu criado por outros

Ao longo da vida colecionamos histórias, objetos, amizades, sentimentos. Todas estas coisas formam quem somos, tudo o que nos acontece carregamos para o resto das nossas vidas de forma boa ou má.
Como artistas e designers temos que estar cientes disto, os nossos produtos, a nossa arte, afeta todos aqueles que a vêm, às vezes de tal maneira que acaba por mudar a forma de como eles vêm o mundo.

  • Consciência

    Este fenômeno é inevitável, temos que tomar responsabilidade e ter noção da magnitude que as nossas criações possuem. Estar consciente disto pode mudar tudo e alterar a nossa percepção, como artistas e consumidores.

  • Intenção

    Apesar de todo o carinho e força que nós podemos pôr nas nossas criações elas têm a sua vida própria, as obras fogem de nós, nem sempre a mensagem é transmitida de maneira clara. Cada um vive no seu mundo influenciado pela cultura, família, amigos e sítio onde vivem.

  • Confrontar e apreciar

    Sempre haverá aqueles que distorcerão a arte de forma negativa e destrutiva, mas junto deles existe quem aprecie o nosso trabalho de maneira assombrosa, aqueles que carregam os sentimentos que sentiram no momento para o resto da vida. Confrontar, e aprender a ignorar, quem julga e odeia é importante para dar mais força às vozes daqueles que amam e vivem pelas nossas obras.

  • Individualização

    Quando criamos sempre temos o “público alvo” em mente, esta percepção é por vezes distorcida, as nossas obras podem sempre fugir desse “público alvo”, não devemos ser limitados pela noção de ter que apelar para alguém. Para além de que a aglomeração de um público que poderá ser tão vasto limita o artista, nunca deverá ser uma surpresa alguém fora desse público alvo apreciar e se sentir atraído pela arte.

  • Eu

    Eu também fui influenciado por tudo aquilo que eu amo e odeio, a arte da minha vida acompanha-me desde a minha infância e foi ela que me moldou como pessoa, sem todos aqueles desenhos animados, músicas, filmes, jogos, peças de teatro, obras de arte, eu não seria eu.

Tu és um conjunto de tudo aquilo que viveste, tu como artista também serás parte da vida de imensas pessoas, a tua arte irá moldar, criar e mudar todos que a tocam. Esta realidade é bela porém assustadora, mas se estás disposto a aceitá-la, verás o mundo e a vida como um grandioso museu.

Caldas da Rainha, 31 Outubro 2024
  • Autores

  • Ivi Cunha
  • Ju Belo