Dicionário da felicidade criativa
Cinco valores de um designer ético

No design gráfico devido às condições precárias do setor muitos designer acabam por aceitar trabalhos que não refletem os seus valores ou aspirações, focando-se mais na remuneração financeira ou no reconhecimento. Muitas vezes, isso implica adaptar-se a estilos específicos que os clientes pedem, deixando de lado as suas preferências e talento. Com o passar do tempo, estes profissionais ficam gradualmente mais frustrados e sentem-se desmotivados, perdendo o desejo de exercer a profissão.

Este manifesto pretende recordar os designers das suas verdadeiras motivações e incentivá-los a trabalhar em projetos que realmente lhes façam sentido.Para isso, é essencial que sejam mais empáticos, resiliente, justos, proativos e curiosos, sem se deixarem guiar apenas pela compensação financeira. Queremos que o trabalho de cada designer promova estes valores e inspire a comunidade a ser mais solidária, justa e curiosa.

A nossa proposta é que os designers se libertem das pressões externas, do foco no dinheiro e encontrem novamente um espaço onde possam expressar e desenvolver as suas paixões e valores. 

Trabalhando juntos, podemos criar um ambiente onde cada designer se sinta à vontade para crescer e fazer a diferença com o que realmente acredita.

 

 Empatia – Resiliência – Justiça – Proatividade – Curiosidade

  • Empatia (em.pa.ti.a)

    nome feminino

    1. faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto)
    2. capacidade de se identificar com outra pessoa e de partilhar os seus sentimentos e motivações

     

    Ser empático como designer é essencial para entender as emoções, necessidades e pedidos dos clientes, de modo a criar soluções que correspondam às suas expectativas. Para isso, devemos ouvir atentamente e observar não só os nossos clientes como também colocarmo-nos no lugar do consumidor final para perceber como irão interagir com o produto. A empatia resulta num design mais humanizado, que valoriza a inclusão e a diversidade, permitindo que o utilizador se sinta parte da experiência.

    Além disso, o designer deve também ser empático quando recebe feedback, pois ao entender a perspetiva do outro, consegue sempre identificar formas de melhorar o seu produto. Por fim, um designer empático tem a responsabilidade social de considerar o impacto ético das suas decisões, contribuindo assim de forma positiva para a vida das pessoas e da comunidade.

  • Resiliência (re.si.li.ên.ci.a)

    nome feminino

    1. propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação
    2. capacidade de superar, de recuperar de adversidades

     

    Ser resiliente como designer é fundamental para aceitar críticas e feedback de forma construtiva, sem o levar para o lado pessoal e proporcionando um aperfeiçoamento do seu trabalho. Além disso, a resiliência permite ver falhas como oportunidades de aprendizagem, melhorando a sua adaptabilidade e evoluindo de forma a poder antecipar situações semelhantes no futuro.

    Quando deparados com pressão, designers resilientes são flexíveis, conseguindo manter o foco na busca de novas soluções e adaptando-se às mudanças, em vez de se submeterem a sua frustração. Esta mentalidade forte e adaptável facilita o trabalho em equipa e promove a resolução e prevenção de conflitos de forma eficaz.

  • Justiça (jus.ti.ça)

    nome feminino

    1. princípio ou virtude moral que inspira o respeito pelos direitos de cada pessoa e pela atribuição do que é devido a cada um
    2. condição do que é equitativo ou moralmente correto

     

    Ser justo como designer significa tratar todos com respeito, valorizando a diversidade de perspectivas individuais e reconhecendo que as mesmas enriquecem o processo de design criando soluções criativas, inclusivas e inusitadas. Além disso, um designer justo oferece feedback construtivo criando um ambiente saudável onde os outros podem crescer sem serem julgados pelas suas diferenças e tendo os seus esforços valorizados.

    Tomar decisões éticas e justas é essencial, considerando o impacto que o design tem na comunidade, nomeadamente no que diz respeito à acessibilidade e à inclusão, promovendo transparência e compromisso tanto com o cliente como com o consumidor final.

  • Proatividade (pro.a.ti.vi.da.de)

    nome feminino

    1. capacidade de prever algo ou de fazer com que algo aconteça, tomando a iniciativa

     

    Ser proativo como designer implica ativamente procurar criar, seja novos projetos, oportunidades ou alternativas, proatividade implica procurar ativamente criar mudança quer seja a nível pessoal, profissional ou mesmo comunitário.

    A procura constante de novas coisas ou alternativas que a proatividade nos traz é algo essencial para demonstrar o nosso interesse quando deparados com novos desafios pois um designer que procura criar mudança é um designer que enriquece a sua equipa e acrescenta valor a todos os projetos em que trabalha.

  • Curiosidade (cu.ri.o.si.da.de)

    nome feminino

    1. qualidade do que é curioso
    2. desejo de saber ou ver
    3. indiscrição

     

    A curiosidade enquanto designer é essencial para expandir a criatividade, ser curioso implica explorar diferentes ferramentas e técnicas, experimentando novos métodos de trabalho e soluções que oferecem novas perspectivas.

    Ser curioso ajuda o designer a ser mais atento aos detalhes, a questionar e a estar disposto a aprender constantemente, o que resulta em designs mais originais e impactantes.

Em suma, este manifesto é um apelo à redescoberta do propósito e da autenticidade no design gráfico, num setor onde as condições frequentemente obrigam os profissionais a afastarem-se dos seus valores. Reconhecemos que, devido à precariedade financeira, muitos designers acabam por se submeter às exigências do mercado, perdendo, assim, a ligação com o seu verdadeiro talento e ambições. Contudo, acreditamos que é possível reverter esta tendência e encontrar uma prática mais alinhada com a essência de cada um.

Incentivamos os designers a resistir à pressão da conformidade e do lucro imediato e, em vez disso, abraçar a empatia, a resiliência, a justiça, a proatividade e a curiosidade. Estes valores são a base de uma prática de design que se compromete com uma abordagem mais humanizada, orientada para uma mudança positiva na comunidade. Sendo também os elementos necessários para que o design gráfico se torne um reflexo genuíno das paixões e valores pessoais dos designers.

Que este manifesto seja, assim, um convite à ação e uma lembrança constante de que o verdadeiro impacto do design nasce da liberdade de criar e da crença no poder transformador de um trabalho com mais sentido.

Se os designers trabalharem juntos, podem transformar o design numa prática que inspire e traga mudanças positivas e significativas para todos.

Caldas da Rainha, 30 Outubro 2024
  • Autores

  • Ana Gaudêncio
  • Mara Rocha