WE’RE HERE AND WE’RE QUEER
Cinco pontos objetivos para tornar o design inclusivo

Nos tempos atuais em que o discurso sobre indivíduos da comunidade transgénero, não-binária e queer se encontra tão tumultuado e dividido é imprescindível que se aborde este tema de um ponto de vista informado. Com este manifesto urge-se que detentores da capacidade de mudar o mundo como são os designers tomem uma posição consciente sobre o que produzem e como podem ajudar a causa. Cada vez mais se prova necessária a intervenção de designers que se têm mostrado neutros em relação à questão de género por se tratar de uma “minoria” da população. Esta posição negligente e ignorante perpetua constantes micro-agressões no dia-a-dia de indivíduos da sociedade que fogem à cis-heteronormatividade e permitem, inconscientemente ou conscientemente, que os direitos destes indivíduos lhes sejam violados e até mesmo retirados. Este programa pretende assim iluminar caminhos viáveis para a acomodação destes indivíduos na sociedade que os designers devem seguir.

  • A PROJEÇÃO DE ESPAÇOS COMUNS INCLUSIVOS PARA TODES

    É urgente que se projetem espaços que levem em consideração e protejam indivíduos queer. É necessário que estes espaços não ponham em causa a identidade e dignidade desta comunidade, desde os mais básicos espaços comuns passando por casas-de-banho, até espaços médicos que requerem maior cuidado com cada indivíduo.

  • MAIORES E MELHORES OFERTAS DE EMPREGO PARA PROFISSIONAIS QUEER

    É também indispensável que todo e qualquer tipo de design (bem como qualquer outra ocupação) seja descentralizado do cisgénero e que esteja munido de profissionais transgénero e não-binários para proporcionar melhores oportunidades de trabalho a uma comunidade extremamente negligenciada no espaço laboral. Espaços profissionais não inclusivos resultam em ofertas limitadas de emprego e acessibilidade para a comunidade que, por consequência, tendem a enfrentar maiores problemas financeiros e a produzir um maior abismo económico.

  • EXTERMINAÇÃO DO DISCURSO E ORGANIZAÇÕES ODIOSAS EM PLATAFORMAS DIGITAIS

    Urge-se que todas plataformas governamentais e não-governamentais de comunicação, de divulgação de trabalho, de saúde, de finanças, de segurança sejam designadas para destruir qualquer tipo de agressão e discurso de ódio contra a comunidade transgénero, também na incorporação de linguagem inclusiva nas mesmas como o uso do pronome neutro, ou de palavras que linguisticamente não possuem género e de termos atualizados para referir a pessoas com determinada característica sexual quando aplicável.

  • IMPLANTAÇÃO DE INICIATIVAS EDUCATIVAS NAS ESCOLAS QUE VISEM PROTEGER JOVENS TRANSGÉNERO

    Qualquer mudança objetiva deve começar na instituição de ensino. Os designers devem ter em mente a projeção de eventos escolares, documentos educativos e manuais que visam ensinar novas e futuras gerações sobre a existência de indivíduos que não se incluem na cis-heteronormatividade para formação de futuros membros ativos da sociedade informados e para a criação de uma atmosfera protegida para jovens queer.

  • ORGANIZAÇÃO DE CAMPANHAS QUE VISEM INFORMAR E EDUCAR A RESTANTE SOCIEDADE

    Não menos importante é a constante organização de campanhas de divulgação e conscientização da comunidade transgénero bem como a educação de aliados e pessoas fora da comunidade para incentivar à aceitação e entendimento que visam diminuir estereótipos e preconceitos em relação à comunidade.

Por fim, apelamos aos designers a saírem da sua zona de conforto e a informarem-se e agirem consciente e ativamente sobre a causa transgénero a fim de minimizar o impacto negativo numa comunidade às margens da sociedade. O design, no final das contas, é uma ferramenta de auxílio que deve ter em mente toda e qualquer necessidade da sociedade, e que deve dar suporte àqueles que se vêem mais desfavorecidos.

Caldas da Rainha, 11 Novembro 2023
  • Autores

  • Clara Avelar
  • Subscritores

  • Jo Araújo
  • Oliver Andrade
  • Inês Cardoso
  • Aiden Morgan