Programmed to be Unaware
Programados para a Inconsciência

Programados para sermos inconscientes sobre a existência do Design. Como? Porquê? Muitas pessoas comuns não param para pensar na origem da cadeira onde nos sentamos, da nossa caneca do café da manhã, do menu do nosso restaurante favorito, do cartão de visita do dentista nem do folheto do supermercado onde fazemos as compras semanais. Todos estes exemplos, antes de serem algo banal do nosso dia-a-dia que passam despercebidos, foram o projeto de um designer, um trabalho ao qual o mesmo dedicou tempo, trabalho e paixão para trazer algo que nos trouxesse conforto, felicidade ou apenas prazer com o projeto em questão. Detalhes passados despercebidos talvez por ter sido tão bem desenvolvido que se torna natural, como se fosse uma obrigação aquele objeto ter sido desenhado assim, ou talvez por não haver a educação nem treino de autonomia de pensar no processo por de trás destes meros detalhes diários.

Será uma má interpretação do significado de Design um fator para a inconsciência da existência do mesmo? Corridos com a ideia de que o Design é sinónimo de desconforto, imprático, extravagante e exagerado, muitos deixam de parte o design que está a frente dos próprios olhos. Será distração? Erro de fabrico? Bug? De qualquer forma como procedermos de forma a trazer consciência ao Design?

  • 01. Better Querries

    Ao longo do ensino obrigatório passamo por várias disciplinas de artes onde costumam ser ensinadas formas de criar, fazer e executar. São nos ensinadas prespetivas, luz e sompra, proporções, etc, no entanto são poucos os professores que se dão ao trabalho de ensinar a não só criar como reconhecer e observar. Somos programados a executar sem compreender.

  • 02. Debugging Design

    Veremos o exemplo de uma nova linha de canecas, porque não no anúncio da empresa que as lançou, para além de incluir os materiais usados e o preço, acrescentar o processo de design por trás ou incluir o nome do designer? como uma espécie de plugin, uma extensão do processo de desenvolvimento.

  • 03. New Tools, Better Tools

    A tecnologia, e essencialmente a Inteligência Artificial, não vieram para nos substituir como designers, vieram sim para auxiliar, da mesma forma que um programador recorre a ajuda de ferramentas de I.A. no seu código sem ser substituído, também o designer o pode. Usar as ferramentas que nos rodeiam de forma a evidenciar mais o trabalho do Designer.

  • 04. Backing up Designers

    É comum em peças de Haute couture, o Designer ser mencionado inúmeras vezes e ser quem traz a fama às suas peças. Pelo contrário, no dia-a-dia vemos por exemplo a marca de onde se comprou algo, como por exemplo um vaso do IKEA mas não vemos o nome de quem criou essa peça. Porque não incluir isso mais livremente?

  • 05. Algorithm of Genius

    Uma maior abertura à criatividade e expressão criativa das crianças e jovens, desta forma crescemos com uma mente mais aberta ao Design e à Arte que no rodeia, a vida é mais que apenas equações matemáticas, factos cientificos e fé religiosa. Inteligência não é só através de resultados e notas na escola, ser um génio é descrito como um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum.

Vivemos imersos num mundo onde o Design, muitas vezes invisível, molda as nossas vidas de forma quase imperceptível. A nossa desconexão com esse processo não é uma simples falta de atenção, mas sim o resultado de uma educação que, em grande parte, negligencia a importância de observar, questionar e reconhecer o trabalho criativo que está por trás dos objetos e experiências do quotidiano. Para quebrar esse ciclo de inconsciência, é fundamental que iniciemos uma mudança no modo como percebemos o Design, não apenas como algo estético ou funcional, mas como uma força ativa e essencial que nos afeta em cada detalhe do nosso dia.

Isto é um convite à reflexão e ação, para que possamos redescobrir o Design em todas as suas formas e impactar positivamente a forma como vivemos, interagimos e pensamos. O Design não é apenas uma questão de estética ou funcionalidade, mas uma linguagem poderosa que tem o potencial de transformar realidades e de nos conduzir a um futuro mais consciente e criativo, uma linguagem geral, não precisa de tradução e que merece uma programação diferente, onde seja mais evidenciado e reconhecido.

Caldas da Rainha, 12 Novembro 2024
  • Autores

  • Octávia Ribeiro
  • Subscritores

  • Octávia Ribeiro