O peso da competitividade no designer
e a sua repercussão na comunidade criativa

O papel do designer na atualidade exige empatia, compromisso e responsabilidade. Precisamos de refletir sobre quem somos, como trabalhamos e que impacto queremos ter na sociedade.

Este manifesto surge da necessidade de repensar a competitividade no design promovendo uma prática mais consciente, colaborativa e autêntica. É um apelo ao autoconhecimento e ao crescimento coletivo dentro da comunidade criativa.

  • O melhor de não ser o melhor

    Deixemos de ser consumidos pela frustração de não ser o melhor da sala. Solicitamos uma mudança de perspectiva, em que essa posição nos leva a aprendermos com quem admiramos, e com isso, haverá um crescimento constante. Se somos os melhores, não temos com quem aprender, por isso, nesse caso, é importante que mudemos de sala se quisermos continuar a evoluir enquanto criativos.

  • O sucesso dos outros não limita o nosso

    O sucesso dos outros deve inspirar-nos e não ser visto como uma ameaça. Quando desejamos sucesso a quem nos rodeia, de forma genuína, este viaja como um boomerang. Dar por dar e não por receber. Devemos regar a nossa empatia, para uma comunidade que coopera e não compete.

  • Há um tempo para tudo, diferente para todos

    Aceitamos que cada um tem o seu ritmo de evolução e aprendizagem. O outro parecer estar mais à frente, não invalida o valor do nosso percurso. Cada curva deve ser respeitada e vivida de forma espontânea, de acordo com o tempo e esforço que conseguimos dedicar. Valorizamos o nosso percurso como sendo único.

  • Em sintonia com os nossos princípios

    Conhecermo-nos e confiar no que oferecemos é a base para deixarmos a comparação e a competição. A autenticidade surge da congruência entre o que pensamos, sentimos e fazemos. Agimos com base na nossa essência. Confiamos na intuição, reduzimos a necessidade de validação externa e acreditamos no nosso valor e potencial.

  • Viver em comunidade, para a comunidade

    Trabalhar em conjunto é mais enriquecedor do que competir em silêncio. Aprendemos uns com os outros. Deixemos de pensar em “ser melhor que o outro”, vamos cooperar juntos, de forma a fortalecer a comunidade e aumentar o impacto do design como prática coletiva.

Apelamos ao reconhecimento de que a postura de cada designer, pode ter consequências diretas para a comunidade a que pertence. O ego não deve interferir na maneira como representamos visualmente o mundo em que vivemos. Que não nos limitemos à competição, e que nos unamos através da aprendizagem coletiva, da autenticidade e do compromisso ético.

Caldas da Rainha, 25 Outubro 2025
  • Autores

  • Joana Pereira
  • Mafalda França Pires