Ética e Responsabilidade no Design

Vivemos numa era em que é necessário que o design vá muito além da estética , e assuma um papel central na forma como compreendemos o mundo e interagimos com ele. Desde objetos físicos e espaços públicos até campanhas publicitárias e interfaces digitais, o design molda as nossas escolhas, influencia comportamentos e impacta profundamente a nossa percepção e a nossa liberdade. O que outrora servia apenas para informar ou facilitar a vida quotidiana agora define como pensamos, agimos e nos relacionamos uns com os outros.
Queremos estabelecer princípios que garantem que o design, em todas as suas formas, não seja utilizado para manipular ou restringir, mas sim para fomentar uma experiência mais consciente, autêntica e respeitosa para todos.

  • 1. Design para a Autonomia

    O design deve respeitar a autonomia do utilizador, oferecendo uma navegação clara e evitando práticas conhecidas como Dark Patterns — artifícios que manipulam a experiência do utilizador para criar confusão, induzir ações indesejadas ou dificultar o encerramento de uma interação. É essencial que as plataformas priorizem a clareza e a transparência, promovendo interações que incentivem uma navegação consciente e livre de manipulações. Desta forma, o design contribui para a saúde digital e para a confiança do utilizador, fortalecendo o respeito pela sua liberdade de escolha.

  • 2. Design Transparente

    O design deve ser transparente, evitando artifícios que manipulem a experiência do utilizador e obscureçam informações importantes. Fontes de pesquisa podem-nos ilustrar como muitas plataformas exploram vulnerabilidades humanas para manter a atenção dos utilizadores. Um design ético deve promover interações autênticas, oferecendo informações claras e respeitando a capacidade de decisão do utilizador.

  • 3. Design que Estimula a Criatividade

    O designer deve procurar a criatividade e a diversidade, em vez de se conformar a padrões estéticos simplistas repetitivos. A uniformização no design leva à perda de originalidade, tornando as experiências digitais monótonas. É fundamental criar espaços que celebrem a inovação e a expressão individual, permitindo que a criatividade floresça.

  • 4. Design Inclusivo e Acessível

    O design deve ser inclusivo, garantindo que todas as vozes sejam ouvidas e que as experiências digitais sejam acessíveis a todos, independentemente das suas habilidades ou contextos. Isso implica considerar diversas perspetivas e necessidades no processo de design, criando soluções que beneficiem a comunidade como um todo diversificado.

  • 5. Design para o Bem-Estar Social

    O design deve ser uma força para o bem, promovendo a saúde mental e o bem-estar social. Ao criar produtos e experiências que incentivem interações positivas, o design pode contribuir para uma sociedade mais coesa e saudável, abordando temas como solidariedade, empatia e responsabilidade social. Temos como exemplo o caso atual em lisboa em que as redes sociais incentivam cada vez mais o ódio e a violência, como se não se estivesse a tratar de meras pessoas. Isto progride do execesso de falta de informação e das fake news.

Apelamos, urgentemente, uma transformação no design como uma força de construção social, facilitando interações mais humanas, autênticas e positivas no ambiente digital. Que todos os envolvidos no processo de design — designers, empresas e utilizadores — se unam nesta missão e trabalhem juntos para criar um futuro mais ético, e responsável.

Caldas da Rainha, 12 Novembro 2024
  • Autores

  • Joana Santos
  • Margarida Esteves
  • Subscritores

  • Daniela Ferreira
  • Angélica Santos