Nós, designers, comunicadores e criadores visuais, vivemos num tempo em que a tecnologia redefine a própria noção de criatividade. Ferramentas de inteligência artificial geram imagens, ideias e soluções em segundos. Cada vez mais acredita-se que a velocidade e a eficiência são sinónimo de inovação.
Mas o design é mais do que um resultado automático. É um processo de pensamento, de intenção e de interpretação do mundo. A inteligência artificial aprende a partir de nós, das nossas referências, das nossas escolhas, das nossas histórias. Por isso, o seu uso exige consciência e responsabilidade.
Temos assistido à apropriação de trabalhos humanos por sistemas que os replicam sem reconhecimento ou contexto. Esta tendência ameaça um dos pilares do design: a relação entre criador, obra e significado. O que é criado sem autoria corre o risco de perder propósito.
Quando um sistema reproduz o estilo de milhares de autores, onde começa e onde termina a autoria? Este manifesto nasce da consciência de que o design, enquanto prática humana, não pode perder o seu propósito, a sua ética e a sua ligação à experiência real.
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O direito á autoria
Toda a criação nasce de decisões humanas como escolher, orientar, editar e interpretar também é criar. A autoria deve ser reconhecida, mesmo quando a tecnologia é parte do processo.
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Transparência a ética no uso da Inteligência Artificial
Os designers devem declarar quando e como utilizam IA, garantindo clareza no processo criativo.
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A colaboração, não a substituição
A Inteligência artificial é uma ferramenta de apoio, não uma criadora autónoma. O valor do design está na intenção e no pensamento crítico do designer que comanda a tecnologia.
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A responsabilidade profissional
Cabe a nós decidir que tipo de futuro queremos construir com a IA. Devemos usá-la de forma consciente, refletindo sobre o impacto social, cultural e ambiental das nossas escolhas.
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Um design com esperança
Acreditamos que a tecnologia pode ampliar o potencial humano, um design ético e informado pode transformar a IA numa aliada poderosa para a inovação, a inclusão e o bem comum.
O futuro do design depende das decisões tomadas agora. Podemos deixar a inteligência artificial liderar o caminho, ou podemos direcioná-la com propósito e consciência, assegurando que o design continue a refletir valores humanos, empatia e criatividade. Ao criar com consciência, afirmamos que o avanço tecnológico só é valioso quando respeita tanto os criadores quanto as criações. Desejamos um futuro onde o design continua humano, para isso é necessária uma colaboração harmoniosa e ética entre máquina e homem.