Vivemos mergulhados num oceano de mensagens, imagens, textos, sinais e símbolos que disputam a nossa atenção a cada segundo. E cada uma delas é interpretada à luz da cultura, experiência e estado emocional de cada um que a recebe. Colocando assim o ato de comunicar, num patamar não objetivo.
Deste modo, o designer, como mediador entre a intenção e a percepção, não possui controlo sobre o olhar do outro, mas pode influenciar o modo como esse olhar se orienta. Tendo assim a responsabilidade de reduzir a poluição visual e amplificar a clareza, sem sufocar a expressão gráfica pretendida. Comunicar, é assim, claramente mais do que um gesto estético, é um ato ético.
Mas afinal, como podemos, enquanto designers, garantir que o que queremos transmitir é o que o outro escuta?
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O Contexto é um filtro
Nenhuma mensagem é universal. Cada informação é lida a partir da bagagem cultural e social de quem o observa. O designer não cria para o vazio, cria para um contexto que condiciona a leitura. Compreender o público não é ceder-lhe, é dialogar com o seu universo simbólico e compreender o meio cultural que molda a sua percepção. Assim, o design nasce do encontro entre intenções e interpretações.
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Educação Visual é poder
Ver não é apenas olhar. Saber ler imagens e criar sentido através delas é compreender o mundo e ter o poder de transformá-lo. Sendo que nem todos têm a oportunidade de ser emancipados visualmente, um designer consciente educa o olhar, tanto o seu quanto o dos outros. Para isto, este, deve ter a preocupação ética e profissional, de escolher e comunicar temáticas que se alinhem com os seus valores e que beneficiem o seu público alvo, de modo a instruí-lo moralmente. Deste modo, a acessibilidade deve ser regra, um design que se fecha não é formado por empatia. Logo, o poder é ter educação visual.
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Comunicação clara é ativismo
Ser claro é um ato político. E deve ser uma escolha lúcida, garantindo que o design é construído com consciência. A comunicação no espaço onde é inserido ficará também dentro da mente das pessoas e, isto tem que se tornar um ato estratégico, para que o que realmente importa possa ser ouvido. Criando espaço para o significado surgir, e o ruído não ser sinônimo de vazio, ser intenção.
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Design é interpretação
Não existe uma fórmula universal para comunicar.
Cada contexto exige observação e empatia, tanto do designer como do espectador. O design não é uma ciência exata, é uma prática ética. Mais do que impor mensagens, o designer deve olhar o mundo antes de influenciar o outro, pois a eficácia da comunicação nasce da atenção com que interiorizam as informações. -
Racionalidade é emoção
A racionalidade interiorizada por nós, deve-se refletir na emoção com que pensamos e estruturamos uma mensagem eficaz. A emoção é uma ferramenta tão poderosa quanto a grelha, é ela que transforma a racionalidade em alma e significado. O equilíbrio entre ambas cria então um local estável para o design.
Porque no fim, comunicar não é apenas projetar mensagens, mas sim criar entendimento mútuo. Que cada designer, questione não apenas o que quer transmitir mas como será ouvido. Tornando o design num espaço de atenção recíproca, onde a mensagem respira, dialoga e se transforma.
Cabe-nos a responsabilidade de tornar a mensagem compreensível, sem lhe roubar a alma.
Porque a mensagem,
a mensagem nunca é só tua.